Pesquisa mostra mudança na alimentação dos paulistanos
Um estudo feito pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) mostrou mudanças nos hábitos alimentares da população paulistana. Segundo a pesquisa, que analisou os alimentos presentes nos domicílios da capital, nas últimas três décadas do século XX houve uma queda no consumo de alimentos como cereais e derivados, além de frutas e hortaliças. Ao mesmo tempo, foi constatado um aumento da compra de alimentos de baixo teor nutricional, como biscoitos e refrigerantes.
Rafael Moreira Claro, doutorando da Faculdade de Saúde Pública da USP e um dos autores do estudo, disse que se pode fazer uma associação entre o padrão de alimentação e as doenças de determinada população. “O que se viu, desde a última metade do século 20, foi uma gradativa substituição dos problemas associados ao consumo insuficiente de alimentos, como a desnutrição, por aqueles associados ao consumo excessivo e desbalanceado, como a obesidade e as doenças cardiovasculares”, explicou.
A pesquisa permitiu confirmar algumas tendências alimentares, como a substituição do consumo de manteiga por margarina e aumento da disponibilidade de alimentos processados: aumento de 500% para doces, 300% para refrigerantes e de 400% para biscoitos, alimentos muito menos comuns nos mercados na década de 70.
O estudo também verificou um aumento na disponibilidade de alimentos de origem animal, como carnes e leite. “Apesar de a tendência apresentar características positivas devido ao aumento no consumo de proteínas e de cálcio, tais alimentos também constituem fontes de gordura animal e de colesterol, nutrientes danosos à saúde quando consumidos em quantidade excessiva”, analisou o pesquisador.
Para Rafael, a análise da mudança dos hábitos alimentares da população permite um melhor entendimento do assunto, para a adoção de políticas públicas mais eficazes. Segundo ele, ações individualizadas para combater as doenças geradas pela obesidade parecem surtir pequeno efeito. Já a imposição de taxas a alimentos não saudáveis, ou isenções fiscais que barateiem alimentos saudáveis, são algumas das opções estudadas.
Fonte: Agência FAPESP